'Berlim, eu te amo' de Helen Mirren é um monte de histórias sobre um monte de nada

Helen Mirren e Liam Gross em Berlim, eu te amo.

Helen Mirren e Liam Gross em Berlim, eu te amo .Martin Nicholas Kunz/Saban Filmes

Outra antologia de compilação composta por 10 vinhetas destinadas a homenagear as cidades onde as histórias acontecem, Berlim, eu te amo é um fracasso vazio e chato, com alguns rostos famosos em pequenas partes que não somam nada de substância. Três esforços anteriores nesta franquia centraram-se em Nova York, Paris e Rio. Berlim não tem nem o ambiente nem a diversidade fotográfica dessas outras cidades, e nenhum encanto. Numa escala de uma a quatro estrelas, qualquer filme com um pequeno papel de Helen Mirren, por menor e insignificante que seja, merece pelo menos uma. Mas nada mais sobre Berlim, eu te amo avalia uma única menção.

A narração de abertura, tipicamente inútil, diz que as pessoas vêm a Berlim para tocar bateria... dançar... e se apaixonar. E alguns deles voam para longe. Seja lá o que isso signifique, serve como um prelúdio contundente para o absurdo empolado que se segue. Depois de ser abandonado pela namorada, Jared (o geralmente competente ator britânico Jim Sturgess) vai para Berlim para beber até morrer. Ele compra um carro falante chamado Vanessa. Vanessa não vai deixá-lo cometer suicídio. Ela o segue pela rua, atormentando-o com o pedido: deixe-me mostrar-lhe minha Berlim. Então, ao volante, ele explora a cidade, desde seus cafés e pontes até o Portão de Brandemburgo, e se apaixona por uma garota maluca e chorona que quer ser dubladora de cinema. Você restaurou minha fé na vida, ele diz, e Vanessa para de falar e vai embora.


BERLIM, EU TE AMO ★
(1/4 estrelas )
Dirigido por: Dianna Agron, Peter Chelsom, Fernando Eimbcke, Justin Franklin, Dennis Gansel, Dani Levy, Daniel Lwowski, Josef Rusnak, Til Schweiger, Massy Tadjedin, Gabriela Tscherniak
Escrito por: Fernando Eimbcke, Justin Franklin, Dennis Gansel, Alison Kathleen Kelly, Dani Levy, Massy Tadjedin, Gabriela Tscherniak, David Vernon
Estrelando: Keira Knightley, Helen Mirren, Luke Wilson, Jim Sturgess
Tempo de execução: 120 minutos.


Depois, há Keira Knightley como uma miserável boa samaritana de Londres, que está na Alemanha para escapar da realidade e que resgata um garotinho árabe abandonado por sua mãe, apesar das objeções de sua própria mãe amorosa (Helen Mirren). Há uma garota americana que se deixa pegar no bar de um hotel por um velho solitário, espancado e coberto de tatuagens (Mickey Rourke) e vai para o quarto dele para fazer sexo, mas quando o canalha acorda na manhã seguinte em uma cama vazia ele descobre, escrito com batom no espelho do banheiro, que ela era na verdade a filha há muito perdida que ele nunca conheceu. Diego Luna (o ator mexicano de E sua mãe também ) interpreta uma mulher transexual que conhece um garoto de 16 anos com problemas de identidade sexual desesperado para ser beijado por um homem em seu aniversário, a fim de satisfazer sua torturada curiosidade sexual.

Luke Wilson, um ator exausto que passou dois anos fazendo um filme sobre o fim do mundo e não sabe o que fazer para uma sequência, tem sua fé ressuscitada por um show de marionetes. Uma modelo viaja tolamente até Berlim para sua grande chance e é abusada e molestada pelo fotógrafo. Uma motorista de táxi da Turquia resgata um diplomata sequestrado em frente à sua embaixada, deixando sua pasta no banco do passageiro. Três mulheres se unem contra um homem em uma lavanderia em nome do feminismo.

Há mais, mas quanto mais se arrasta, mais incoerente fica. Alguma tentativa é feita para unir os personagens díspares em uma cantoria com uma garota israelense que se apaixona por um mímico alemão na praça da cidade. Um imigrante escondido com duas lésbicas num bordel pode até ser o pai do menino árabe escondido na casa de Keira Knightley, mas quem sabe? Em vez de iluminação, muito tempo perdido na tela é consumido por um grande número de dança que não faz sentido algum.

As 10 vinhetas em Berlim, eu te amo são intersectados de maneira estranha e pouco convincente, sem qualquer energia ou relevância para a cidade de Berlim. Cada segmento é escrito e dirigido por uma equipe criativa diferente e depois costurado, formando uma mistura de estilos que carecem de um ponto de vista claro. A direção sem rumo e sem ritmo é pontuada por longas pausas e personagens subdesenvolvidos olhando para espaços vazios. Chega dessas saudações benignas das grandes cidades que abrem na sexta-feira e fecham no sábado à noite. O que vem a seguir? Des Moines, eu te amo ?